Exposição na Itália mostra obras de Dali e Warhol recuperadas do crime organizado

Leilões de bens apreendidos incluem carros da Ferrari e motos Harley-Davidson

Mais de 80 obras de arte contemporâneas roubadas pela máfia italiana e agora recuperadas, incluindo obras de Salvador Dali e Andy Warhol, foram expostas nesta terça-feira em Milão. Segundo Maria Rosaria Lagana, chefe da agência nacional de administração de ativos, “obras destinadas a permanecer enterradas nas redes do crime organizado finalmente são devolvidas à comunidade, assumindo um papel simbólico de resistência ao crime”.

A agência organiza leilões de alguns bens apreendidos pelos tribunais italianos, que incluem carros Ferrari e motocicletas Harley-Davidson. Enquanto isso, casas, apartamentos e terras agrícolas são alocados gratuitamente a órgãos públicos e organizações sem fins lucrativos. Mas algumas das artes que enfeitavam as paredes dos mafiosos foram tornadas públicas como parte da exposição “SalvArti”.

“Esses são bens que obviamente poderiam ter sido vendidos, mas foi decidido mantê-los em museus, porque são de valor significativo”, disse Lagana à AFP.

Mais de 20 obras do Palazzo Reale de Milão foram confiscadas em 2016 de um chefe da poderosa máfia ‘Ndrangheta, sediada na região sul da Calábria. Elas incluem uma litografia de “Romeu e Julieta”, do pintor surrealista espanhol Dalí, localizada em uma sala dedicada a obras apreendidas por um tribunal na capital da Calábria, Reggio Calabria.

Perto dali fica a “Piazza d’Italia”, um óleo sobre tela do italiano Giorgio de Chirico. Cerca de 60 outras obras vêm de uma apreensão ordenada por um tribunal de Roma em 2013 devido a uma fraude gigantesca ligada a uma rede internacional de lavagem de dinheiro.

Entre elas estão uma serigrafia do artista pop Andy Warhol intitulada “Summer Arts in the Parks” e uma litografia “Wrapped Venus” de Christo. A exposição também traz recortes de jornais e vídeos da polícia apreendendo as obras, que são usadas como moeda no tráfico de drogas e armas.

Lagana disse que o objetivo era destacar a “insidiosidade do flagelo da máfia” e ao mesmo tempo promover a cultura.

“É um renascimento para essas obras. É um pouco como desenterrá-las, como os arqueólogos, e colocá-las em exposição onde todos possam vê-las”, disse ela.

A exposição, cuja entrada é gratuita, fica em Milão até 26 de janeiro, antes de ser transferida para Reggio Calabria, de 8 de fevereiro a 27 de abril.