Primatólogos defendem projeto de lei para reduzir acidentes de animais na rede elétrica

Pesquisadores e ambientalistas aprovaram moção de apoio à Política de Prevenção de Acidentes Elétricos com Animais Silvestres, além de pedido por corredor para muriquis

Os participantes do XX Congresso Brasileiro de Primatologia, realizado durante toda a última semana no Espírito Santo, enviaram uma carta para a deputada Duda Salabert (PDT-MG) pela aprovação do Projeto de Lei que institui a Política de Prevenção de Acidentes Elétricos com Animais Silvestres, do qual é relatora. Para os participantes do evento, o apoio é importante devido aos “impactos das redes de distribuição de energia sobre os primatas brasileiros, muitos dos quais ameaçados de extinção”.

Mãe e filhote usam a rede elétrica para se deslocar entre as árvores. Foto: Mariano Pairet

A proposta prevê adaptações e medidas preventivas que reduzam a exposição de animais aos fios e estruturas de baixa, média e alta tensão dos postes de distribuição e transmissão de energia elétrica; além de obrigar as empresas de energia elétrica a custear o resgate e tratamento dos animais que sofrerem acidentes em estruturas por elas administradas.

PL nº 564/2023 é de autoria original do deputado Marcelo Queiroz (PP-RJ), mas outros seis deputados solicitaram coautoria ao projeto: Delegado Matheus Laiola (União-PR), Duarte (PSB – MA), Felipe Becari (União-SP), Fred Costa (Patriota-MG), Célio Studart (PSD – CE) e Bruno Ganem (PODE – SP).

A proposta de lei, apresentada formalmente à Câmara em fevereiro de 2023, foi recebida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável cerca de dois meses depois. Em agosto do ano passado, a deputada Duda Salabert foi designada como relatora. A tramitação aguarda agora o parecer da parlamentar.

Um corredor para os muriquis-do-norte

O congresso organizado pela Sociedade Brasileira de Primatologia resultou também num pedido coletivo em prol dos muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) para que sejam criados corredores ecológicos para a espécie até 2025.

Atualmente, os muriquis – maior primata das Américas e habitantes da depauperada Mata Atlântica – sofrem pela falta de florestas e o isolamento das populações.

O objetivo dos corredores seria unir as principais populações de muriquis de Minas Gerais até o Espírito Santo. Desde as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala e Sossego – cujo corredor, inclusive já foi instituído, ainda que apenas no papel – até os parques estaduais da Serra do Brigadeiro e do Rio Doce, e o Parque Nacional do Caparaó.

O texto pede a criação de uma Área de Proteção Ambiental “abrangente e consistente para consolidar os trabalhos que visam evitar a extinção dos muriquis-do-norte”.

A carta é direcionada ao Governo Brasileiro, ao Congresso Nacional, ao Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, ao ICMBio, aos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo e suas respectivas Assembleias Legislativas, além da comunidade científica e organizações ambientalistas.