Estudo lista os principais hotspots de produtos químicos eternos no mundo

Essas substâncias, presentes em produtos cotidianos como frigideiras antiaderentes, embalagens de alimentos e roupas impermeáveis, estão associadas a sérios problemas de saúde, incluindo câncer e defeitos congênitos

Um artigo recente publicado na revista Nature Geoscience encontrou concentrações perigosas de “produtos químicos eternos” em águas superficiais e subterrâneas ao redor do globo. O levantamento identificou a Austrália, os Estados Unidos e a Europa como os principais pontos críticos.

Denis O’Carroll, Carga subestimada de substâncias per- e polifluoroalquilas em águas superficiais e subterrâneas globais, Nature Geoscience (2024) www.nature.com/articles/s41561-024-01402-8

A análise levou em conta dados de 45.000 amostras de água em todo o mundo, constatando que uma “fração substancial” apresentava níveis de PFAS – substâncias per e polifluoroalquil – superiores aos recomendados.

Essas substâncias, presentes em produtos cotidianos como frigideiras antiaderentes, embalagens de alimentos e roupas impermeáveis, estão associadas a sérios problemas de saúde, incluindo câncer e defeitos congênitos.

Os PFAS foram encontrados em diversos locais, desde ovos de tartaruga até a neve da Antártida. No entanto, o estudo mais recente destaca sua predominância em águas superficiais e subterrâneas utilizadas para consumo humano.

O estudo revelou que 69% das amostras de águas subterrâneas analisadas mundialmente ultrapassaram os padrões mínimos do Canadá, e 6% excederam os padrões da União Europeia.

Austrália, China, Estados Unidos e partes da Europa foram identificados como hotspots globais de altas concentrações de PFAS. No entanto, o estudo reconheceu que esses locais são também onde há maior nível de testes e, com mais pesquisas, resultados semelhantes poderiam ser encontrados em outras regiões do mundo.

Considera-se que os PFAS estão disseminados globalmente, mas a extensão da contaminação em cursos d’água e abastecimentos de água ainda é desconhecida. Em resposta às preocupações de saúde e ambientais, Canadá, Estados Unidos, União Europeia e Austrália começaram a restringir o uso dessas substâncias.