Coronel Ulysses aciona ministro da Justifica para explicar esvaziamento de setor de investigação da PF

Deputado do Acre apresentou na terça-feira (4) requerimento de informações ao ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, após reportagem da Folha de S. Paulo denunciar supostas interferências da direção da Polícia Federal no setor de investigação da instituição

O deputado Coronel Ulysses (União-AC) requisitou na terça-feira (4) informações do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski sobre o desvirtuamento por parte da Polícia Federal (PF) das atribuições da Diretoria de Inteligência Policial (DIP), a fim de concentrar os inquéritos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo relata que a atual direção da PF inflou a diretoria do órgão com inquéritos contra Bolsonaro e esvaziou o setor de investigações, responsável por conduzir investigações que correm em tribunais superiores.

Os fatos denunciados precisam ser esclarecidos com urgência”, diz Ulysses

“Face aos fatos denunciados, é necessário e urgente que o Ministério da Justiça repasse ao Parlamento sobre os fatos e as decisões adotadas pela Polícia Federal”, afirma Ulysses no pedido de informações.

Para o deputado, o governo precisa se explicar “para termos certeza se, de fato, há interferência política ou ideológica na corporação”.

Ainda, para Ulysses, urge tal providência para que nenhuma investigação da PF fique comprometida pela parcialidade.

Ulysses quer saber a razão pela qual ‘investigações sensíveis’ foram retiradas da diretoria de inteligência policial e carreadas para órgão próximo ao diretor-geral da PF, Andrei Meireles.

A DIP é encarregada de definir a política de inteligência e realizar ações de contrainteligência e investigações relacionadas ao terrorismo, e questões de segurança nacional. Porém, a direção da PF teria alterado essas atribuições.

Com isso, a diretoria passou a cuidar de inquéritos sobre milícias digitais, suposto plano golpista de Bolsonaro e seus aliados, investigações sobre fake news, uso ilegal de sistemas de monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Delegados da DIP também ficaram encarregados de investigar outros incidentes, dentre os quais possíveis hostilidades ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no aeroporto de Roma, na Itália.

Para Ulysses, “os fatos denunciados pela Folha são inconcebíveis; o ministro da Justiça, como agente público que o é, deve explicar esses fatos preocupantes”.

Para tanto, Ulysses se valeu da prerrogativa parlamentar de fiscalizar os poderes públicos para cobrar explicações do governo.

Ainda, segundo a reportagem, a área da Polícia Federal responsável por conduzir investigações nos tribunais superiores – a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ), setor vinculado à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) – também é alvo de ‘esvaziamento’ por parte do comando da corporação, devido à redução do número de delegados.

Atualmente, a atuação da CINQ se concentra, prioritariamente, na chamada Operação Lesa Pátria.

 Desse modo, a coordenação investiga supostos organizadores e financiadores dos ataques ocorridos em 8 de janeiro, e em inquéritos sobre desvios em obras custeadas com emendas parlamentares.

Delegados ouvidos pela Folha afirmaram que a mudança na diretoria de inteligência está causando desequilíbrio entre os setores da PF, diminuindo a importância do departamento encarregado das investigações.

Assim, assuntos considerados ‘sensíveis’ foram levados para mais próximo do atual diretor, Andrei Meireles, como, por exemplo, inquéritos sobre suposto golpismo no

 

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