Em menos de um ano, Acre já registrou três acidentes aéreos; relembre as tragédias

Nos últimos oito meses, entre outubro e maio, o estado do Acre registrou três acidentes aéreos, com 14 vítimas fatais no total. No dia 29 de outubro de 2023, um avião de pequeno porte caiu próximo ao Aeroporto de  Rio Branco e todos os ocupantes da aeronave morreram. Meses depois, já em 2024, no município de Manoel Urbano, um monomotor caiu e deixou duas vítimas fatais.

Nesta segunda-feira (20), outro avião caiu, mas desta vez, dentro de um rio no interior do Acre, próximo a Tarauacá. Não houve vítima fatal, mas duas pessoas ficaram feridas.

Não se sabe ao certo qual motivo das quedas recorrentes de aviões de pequeno porte, visto que as investigações estão ainda em andamento, mas nas duas últimas ocorrências, o excesso de peso pode ter sido um fato que tenha auxiliado no mau funcionamento das aeronaves.

Cesna Caravan – 29 de outubro de 2023

Dessa série, o primeiro foi registrado no dia 29 de outubro de 2023, sendo o terceiro maior da história do Acre. Um avião de pequeno porte caiu próximo ao Aeroporto de  Rio Branco.

Todas as 12 pessoas que ocupavam a aeronave morreram carbonizadas. A aeronave tinha autorização para fazer táxi aéreo, com certificado de aeronavegabilidade válido até agosto de 2024. O avião foi identificado como modelo Cesna Caravan, com prefixo PT-MEE e pertencia à empresa amazonense Art Táxi Aéreo, que faz a linha Acre-Amazonas.

A aeronave caiu cerca de 1800 metros depois da cabeceira da pista do aeroporto, em uma região de mata fechada próximo a uma fazenda, às margens da BR-364. Estavam a bordo 12 pessoas, sendo 9 passageiros, incluindo uma bebê, e dois tripulantes, piloto e copiloto, que não resistiram ao grave acidente e morreram no local após o avião explodir.

O avião viajava com destino ao município de Eurinepé, no Amazonas (AM), mas fariam uma parada no município amazonense Envira.

As doze vítimas são:

Passageiros: Alexander Bezzerra; Francisco Eulimar; Ana Paula Melo; Raimundo Nonato Melo; José Maria Epifanio; Antonio Matos; Antonia Elizângela; Edineia de Lima; Clara Maria Monteiro.

Tripulantes: Cláudio Atílio Montari – piloto e Kleiton Lima Almeida – copiloto.

As investigações são conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica, a partir de Manaus, no Amazonas.

Pelo fato do avião ter explodido, os corpos foram queimados e a identificação foi uma força-tarefa realizada pelo Instituto Médico Legal (IML).

Cessna Skylane 182 – 18 de março de 2024

A queda de avião monomotor de pequeno porte em Manoel Urbano, interior do Acre, completou dois meses no último sábado (18).

A aeronave era do modelo Cessna Skylane 182, e transportava quatro homens e três mulheres, sendo 7 passageiros a bordo e o piloto, quando caiu a 1 km da cabeceira da pista de Manoel Urbano e estava saindo do município com destino à Santa Rosa do Purus.

As vítimas inicialmente foram transferidas de Manoel Urbano para  Rio Branco no dia do acidente e foram acompanhadas por uma equipe multidisciplinar de pronto-socorro. Depois, foram transferidos na madrugada de 22 de março para o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), no Hospital 28 de Agosto, em Manaus.

Sobreviventes

A musicista Amélia Marques Rocha, de 28 anos teve 70% do corpo queimado, foi transferida em estado grave para o hospital do Amazonas e chegou a ser entubada, mas apresentou quadro de melhora.

O dentista Bruno Fernando dos Santos (36), marido de Amélia, também teve alta hospitalar.

Amélia Marques deu entrada em estado grave no Hospital de Manoel Urbano/Foto: Reprodução Instagram

A adolescente indígena Delisiane Salomão Calisto, (15), teve alta hospitalar no dia 25 de março. Ela viajou sendo transportada sem cinto de segurança, no local destinado às bagagens.

O piloto Roner Mendes, (59), o piloto da aeronave, teve 40% do corpo queimado e seguiu em estado grave.

O jovem Mateus Jeferson Fonte, 26 anos, teve 80% do corpo queimado e pulou do avião no momento da queda. Ele era marido de Suanne Camelo, uma das vítimas fatais do acidente. Apenas ele retornou ao Acre após o acidente

Vítimas fatais

O empresário Sidney Hoyle Vega (73), morreu no momento da queda e foi a primeira vítima fatal. Ele era um empresário que atuava no ramo de embarcações e transporte no município de Santa Rosa do Purus e era bastante conhecido. Ele havia casado a filha no fim de semana anterior ao acidente.

A empresária Suanne Camelo (30), teve 80% do corpo queimado e seguiu em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia 27 de março.  Ela era moradora de Santa Rosa do Purus e proprietária de um dos maiores pontos comerciais da cidade e também era bastante conhecida pelos moradores da região.

Cessna 150 – 20 de maio de 2024

Informações divulgadas pelo site Extra do Acre apontam que um avião caiu dentro de um rio nas proximidades do município de Tarauacá, perto da Fazenda Santa Luzia, na manhã desta segunda-feira (20).

O avião saiu de Jordão com destino a Tarauacá. De acordo com o apurado, os três passageiros sobreviveram e apenas um deles sofreu um corte na cabeça.

Avião caiu dentro do rio/Foto: Reprodução

A foto divulgada pelo site mostra parte da cauda do avião dentro d’água ao lado de uma canoa. Os moradores ajudaram o Corpo de Bombeiros a retirar a aeronave do rio.

Segundo uma declaração de uma pessoa que esteve presente na retirada do avião monomotor Cessna 150H, esta era a quarta queda da aeronave.

A aeronave, que ficou quase toda submersa na calha do rio, teria sofrido pelo menos três outros acidentes, segundo uma pessoa, cuja fala pode ser ouvida no vídeo do momento em que o avião é retirado do rio por populares da região. Se a informação se confirmar, há indícios de negligência ou de inaptidão do proprietário para voar seguramente.

Avião só poderia transportar piloto e um passageiro, mas estaria com 3 a bordo

Ainda no CVA, consta que o Cessna 150H tem capacidade para apenas duas pessoas, o piloto e um passageiro. Mas os relatos são de que no momento do acidente três pessoas estavam a bordo, o que indica que pode ter havido imprudência por parte do piloto.

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