Em três anos, quase 70% das florestas no Acre viraram pastos para a agropecuária

Matheus Mello, ContilNet

Um levantamento feito pelo InfoAmazonia e divulgado na última semana mostra o cenário de caos na Amazônia Legal, causado após o chamado ‘Dia do Fogo’, episódio ocorrido em 2019, quando um grupo de ruralistas decidiram colocar fogo na região, às margens da BR-163, no Pará.

Vista aérea de áreas queimadas da Floresta Amazônica no município de Boca do Acre (AM). Foto: Lula Sampaio/AFP

O estudo feito com dados do IPAM, Map Biomas e Monitor do Fogo, revela que apesar de ficar a centenas de quilômetros do epicentro do início do fogo, o caso repercutiu no aumento das áreas degradadas e queimadas também no Acre.

“O fato desses incêndios terem chegado tão longe, a partir de um crime coordenado por grupos de Novo Progresso, só mostra que as pessoas que colocaram fogo na floresta estavam articuladas em maior parte da Amazônia brasileira, especialmente nos estados com alta concentração de terras indígenas e áreas protegidas”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência no IPAM ao InfoAmazonia.

De acordo com o levantamento, o Acre teve uma das maiores conversões analisadas. 68% da floresta queimada virou pasto, enquanto 32% seguiu floresta degradada.

“Normalmente, o comportamento observado depois da queima é a alteração no uso do solo, seja com conversão para pastagem ou agricultura, por exemplo. Mas vemos que as áreas de floresta queimada no Dia do Fogo não tiveram esse mesmo destino, ou pelo menos ainda não. Até agora, as imagens nos mostram que boa parte das áreas de floresta foram queimadas ‘por queimar’, sem necessariamente ter uso na sequência, mesmo que de maneira ilegal”, explica Felipe Martenexen, pesquisador no IPAM. Trecho da fala retirada da reportagem do InfoAmazonia.

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